O jornal Voz da Póvoa avança, na sua edição desta semana, mais desenvolvimentos do caso Rádio Linear/ Rádio Foz do Ave. Designadamente com declarações de Pedro Brás Marques – que denunciou a situação – e de Mário Almeida – acusado de pactuar com a concentração de meios de comunicação social sob uma mesma empresa.
Em declarações àquele jornal, António José Gonçalves, director da Rádio Foz do Ave, garante que a empresa vai manter a independência e isenção.
Já o PSD tem posição contrária.
“é sabido que as Edições Linear são a extensão comunicacional do Partido Socialista (PS) e da Câmara Municipal de Vila do Conde. A autarquia, por exemplo, deu ordens de pagamento a esta Cooperativa, só em 2006, no valor de 63 mil e 310 euros. Em moeda antiga, dá mais de mil contos por mês, algo de inimaginável noutros órgãos de comunicação social local e regional. Sabemos, também, que a rádio Linear nunca faz cobertura de eventos da oposição, e que o Jornal de Vila do Conde, além de publicar artigos anónimos, é dobrado na sede do PS e que nos seus documentos de cobrança está escrito como local de pagamento uma morada que corresponde à da sede do partido. São órgãos de informação oficiosos do PS e da Câmara Municipal, algo que, aliás, nunca esconderam. Ora, a Rádio Foz do Ave, ao nível radiofónico, era o último bastião da pluralidade em Vila do Conde, estando sempre presente em iniciativas e tomadas de posição do PSD e de outras forças políticas. Com esta aquisição o tratamento ‘linear’ vai certamente acabar com este resquício de democracia”.
Mário Almeida rejeita as acusações e garante que “é conhecido o respeito que a autarquia tem pela comunicação social, tendo sempre na devida consideração a sua isenção perante a exigência de informar, com verdade, os seus leitores e ouvintes”. Sobre o alegado pagamento da verba de 63 mil e 310 euros à Rádio Linear, a Câmara Municipal explicou que “apenas se limitou a pagar o que lhe era devido, conforme faz a outras rádios e jornais, assumindo os pagamentos de publicidade a anunciar eventos recreativos, realizações culturais, espectáculos desportivos, vendas de apartamentos, concursos para obras, anúncios para bares, e outras publicações obrigatórias”.
Por fim, o próprio jornal dá o veredicto na coluna “Conversa Afiada”…
O mercado manda em tudo e comanda as nossas vidas precárias. Nos tempos que correm, o Estado deve estar quietinho e não fazer ondas no mercado. Os cidadãos devem aceitar as regras do mercado como os dogmas de uma qualquer igreja universal. Nas delícias da economia de mercado, a concorrência é regra de ouro. Compra quem pode, vende quem quer. Quem não compra nem vende, vê passar os navios e fica à espera de um salário que para os patrões deve ser o mínimo possível e para os sindicatos o máximo que for conseguido. Vem isto a propósito de um negócio na área da Comunicação Social, recentemente concretizado para as bandas de Vila do Conde. A empresa proprietária da Rádio Linear adquiriu a Rádio Foz do Ave. Os compradores, ao que parece, são socialistas. Os vendedores não se sabe que cores partidárias defendem, mas é evidente que quiseram vender. Pelo menos não consta que lhes tivessem encostado uma arma ao peito. Portanto, funcionou o mercado. Mas o PSD de Vila do Conde não gostou do negócio. Moral da história: os socialistas adoram o mercado e as delícias do capitalismo e a direita em Vila do Conde anda de candeias às avessas com o mercado. É o fim do mundo em cuecas!
… E nas Luas e Marés
Quarto Minguante – Mário Almeida, presidente da Câmara de Vila do Conde, está debaixo de fogo da Oposição. A aquisição da Rádio Foz do Ave, segundo o PSD, foi concretizada por pessoas politicamente próximas do autarca vilacondense, e de outras que prestam serviços à Câmara Municipal de Vila do Conde. O PCP veio a público denunciar uma alegada “promiscuidade” entre a autarquia vilacondense e empresas que promovem o emprego precário. Mário Almeida tem razões para estar preocupado.